quarta-feira, 30 de maio de 2007

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem
(e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 24 de abril de 2007

Minha menina está dormindo, como em outras tantas vezes. Porém, desta vez, escrevo sobre seu sono secreto, tornando mágico e público este acontecimento. Levo bem distante esta cena e nunca mais saberei aonde foi parar… Que olhos? Que pensamentos? O que estarão imaginando, neste instante sempiterno da leitura?
Ela sempre dorme antes de mim. Muitas vezes eu fico ali, atento, silencioso, apenas observando os movimentos sob um lençol azul: um mar, seu corpo formando ondas, eu traçando rotas para poder navegar sem perder a direção…
Depois, quando o sono me alcança, levanto velas e dou as costas para todos os portos. Com uma das mãos - gesto rápido de ansiedade - aceno um adeus apressado. Levo o barco até alto mar (soltar âncoras!) e mergulho em busca de tesouros escondidos, sem que me tenha sido possível, até então, encontrá-los.
Volto à superfície, e fico assim: no mesmo mar, o mesmo lençol, olhando o céu endurecido num branco-gelo apagado… Um breve agito das ondas (ajeito-me para mergulhar outra vez, agora mais profundamente, em sonhos) e logo a seguir: calmaria. Apenas o leve vento das respirações que se encontram (balançarão as velas de minha embarcação, na superfície?). Fecho os olhos. Um breve tempo para pescar os últimos pensamentos (as velas… o barco… balançando…) e o mundo, dando as costas para mim, tem apenas um ultimo instante para acenar, num gesto apressado, despedindo-se: boa noite.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...
Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua...,
- unidos, Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
----------José Régio

segunda-feira, 2 de abril de 2007

AC/DC Whole lotta rosie

Fanastic!

domingo, 25 de março de 2007

AC/DC - You Shook Me All Night Long

sábado, 3 de março de 2007

Pink Floyd The Wall - Pink Floyd - Comfortably Numb

O Pink Floyd surgiu em Cambridge, na Inglaterra, em 1965, como uma banda de blues. Seus rumos mudaram dois anos depois, quando o quarteto entrou no estúdio londrino Abbey Road para gravar o disco de estréia, The Piper at the Gates of Dawn. Os companheiros de estúdio do PF eram, naturalmente, os Beatles, que estavam iniciando as gravações de Sgt. Pepper's. Reza o folclore que Syd Barrett, então mentor do Floyd, e John Lennon dividiram drogas e idéias musicais durante a gravação de seus álbuns. De fato, The Piper at the Gates of Dawn soa como um "lado B" da obra-prima dos Beatles, com rocks que parecem embebidos em ácido lisérgico. Com a mente debilitada pelo uso excessivo de drogas, Syd Barrett foi substituído em 1968 por David Gilmour, autor dos solos de guitarra mais elegantes da história do rock. O Pink Floyd passou a lançar discos conceituais e chegou ao auge da popularidade com The Dark Side of the Moon. Um dos álbuns mais vendidos da história, ultrapassou as barreiras do rock e até hoje continua faturando um dinheirinho no mercado.




quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Crônica do amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor