segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Onde estas?

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...Não precisamos da paixão desmedida...Não queremos beijo na boca...E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...Sem nada dizer...Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...Alguém que ria de nossas piadas sem graça...Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...Que nos teça elogios sem fim...E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...Alguém que nos possa dizer:Acho que você está errado, mas estou do seu lado...Ou alguém que apenas diga:Sou seu amor! E estou Aqui!
Texto de Shakespeare

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

o Passado é imutável
Bom dia.
Hoje vou-me focalizar no tema "passado". Não me refiro ao passado, enquanto recordação, memória, nostalgia, muito menos enquanto "fantasma", medo ou insegurança.
Vou abordar o tema, no campo do impossível de alterar.
Para mim é isso o que devemos retirar do passado, tenha sido ele bom, saudoso, ou difícil, penoso, a única coisa em comum com todo e qualquer passado é o facto de não o podermos alterar. Por isso, porquê massacrarmo-nos com o que já está? Bem ou mal já foi feito e nada nem ninguém pode mais alterar. Desde que tenhamos consciência do que falhou, para melhorar no hoje e amanhã, a lição está tirada.
Tal como o ontem, o agorinha mesmo também já constitui passado, por isso... siga!!
Para melhor o demonstrar, seleccionei algumas frases interessantes.
"Termine cada dia e esteja contente com ele. Você fez o que pôde. Alguns enganos e tolices se infiltraram indubitavelmente; esqueça-os tão logo você consiga. Amanhã é um novo dia; comece-o bem e serenamente com um espírito elevado demais para ser incomodado pelas tolices do passado."-- Ralph Waldo Emerson
"Quando a culpa levanta sua cabeça horrível, confronte-a, examine-a e deixe-a ir.O passado acabou. Perdoe a si mesmo e continue em frente."-- Bernie S. Siegel
"Feliz é a pessoa que sabe o que lembrar do passado, o que usufruir no presente, e o que planear no futuro."-- Arnold H. Glasgow

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

A Banda Chico Buarque

Se pego o violão, lá está ela!
Com um lindo sorriso em sua face
e a pedir:
- A banda! A banda, papai!
Então toco a música para o anjo meu!

O homem sério que contava dinheiro, parou
O faroleiro que contava vantagens, parou
A namorada que contava as estrelas,
Parou para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada, sorriu
A rosa triste que vivia fechada, se abriu
A meninada toda se asanhou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Qu'inda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela
A marcha alegre se espalhou na avenida e insistiu
A lua cheia que vivia escondida, surgiu
Minha cidade toda se enfeitou
Pra ver a banda passar, cantando coisas de amor
Mas para meu desencanto, o que era doce acabou
Tudo tomou seu lugar, depois que a banda passou
E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Havia uma vez uma ilha, na qual viviam todos os sentimentos e valores do homem:o Bom Humor, a Tristeza, o Saber...Como também todos os outros, incluindo o Amor.
Um dia avisaram os sentimentos que a ilha estava prestes a afundar-se.Então, todos prepararam os seus barcos e partiram. Unicamente o Amor ficou, esperando sozinho, até ao último momento.
Quando a ilha estava a ponto de desaparecer no mar, o Amor decidiu pedir ajuda.
A Riqueza passou perto do Amor num barco luxuosíssimo e o Amor disse-lhe:"Riqueza, podes-me levar contigo?""Não posso porque tenho muito ouro e prata dentro do meu barco e não há lugar para ti."
Então, o Amor decidiu pedir ao Orgulho que estava passando numa magnífica barca:"Orgulho, rogo-te, podes-me levar contigo?""Não posso levar-te, Amor..." respondeu o Orgulho: "Aqui tudo é perfeito, poderias arruinar-me a barca".
Então, o Amor disse à Tristeza que se estava aproximando:"Tristeza, peço-te, deixa-me ir contigo.""Oh, Amor" respondeu a Tristeza, "estou tão triste que necessito estar só".
Logo, o Bom Humor passou em frente ao Amor; mas dava gargalhadas tão altas, que não ouviu que o estavam a chamar.
De repente uma voz disse:"Vem Amor, levo-te comigo..."Era um velho o que havía chamado.O Amor se sentiu tão contente e cheio de alegria que se esqueceu de perguntar o nome ao velho.Quando chegou a terra firme, o velho desapareceu.
O Amor deu-se conta de quanto devia ao velho e, assim, perguntou ao Saber:"Saber, podes dizer-me quem me ajudou?""Foi o Tempo", respondeu o Saber."O Tempo?", perguntou-se o Amor,"Porque será que o Tempo me ajudou?".O Saber, cheio de sabedoria, respondeu:
"Porque só o Tempo é capaz de compreender quão importante é o Amor na Vida".

terça-feira, 31 de outubro de 2006

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Autoria: Hilda Hilst

Que posso eu fazer senão
Tentar-te e obrigar-te de novo
Que faria eu sem ti?!

sábado, 30 de setembro de 2006

Divagações

Percebo que o céu já não está mais totalmente negro. Parece que lhe surgiu um azul bem escuro, quase um anil, o qual me acalma de todas as minhas divagações sombrias que me visitam o pensamento. Abro a janela do quarto e ainda consigo ver a Dalva solitária estrela, que brilha, ainda com um brilho tímido, parecendo-me observar por um instante, curiosa, com ar de espiã pra cima da minha janela. Vejo um vulto preto sobrevoando a varanda da casa, algo pequeno, emitindo uns sons agudos. Você já deve ter sacado o que é. Morcegos. Tenho a impressão de que eles querem dizer algo a mim, talvez queiram fazer amizade comigo. Pouco tempo depois que isso se passa, uma coruja branca emite seu 'chiado' pedante no jardim.
Neste exato momento, olho novamente pro céu. A estrela não brilha mais, acho mesmo que até já desapareceu por completo. Deve ser esta a minha hora de escrever.O céu está cada vez mais claro e o azul já perdeu todo o seu tom de cordialidade, mostrando-me algo sem vida e sem expressão. O branco das nuvens recobertas se escancara para a janela aberta.Surpreendo-me ao perceber 'os primeiros cantos', não do Gonçalves Dias e nem dos sabiás, mas dos pardais suburbanos que cantam a mediocridade passageira da vida.Recuso-me a descrever o som da batida da porta do vizinho, que acaba de chegar sei lá de que prostíbulo, arruinando o som agudo dos passarinhos, banalizados pelo ordinário aspecto de não possuir beleza infinita.Parece que a noite já se foi e não me sinto mais à vontade agora, vejo que a sacada do meu quarto está repleta de olhos gordos me secando e querendo roubar o que de mim é valioso. Mas que olhos gordos são esses? - Sei lá, talvez seja o próprio dia que se aproxima com os raios mal-educados, que não fazem distinção e não medem a intensidade com que ferem os olhos mesquinhos daqueles solitários amantes da escuridão.Minha noite passou depressa e não tive, ao menos, tempo de me despedir de forma solene, pois o dia vem me despindo e deixando à mostra minhas vergonhas.Não quero mais ser a cobaia dum sistema repugnante, quero deixar algo de útil, algo que algum dia estará sobre as calçadas do centro da cidade, sendo pisado e às vezes chutado, algo que preencherá o vazio dum menino, ou a puberdade duma menina, algo que despertará a sede de conhecimento adormecida num adulto, que tem sua atenção vinculada para a capa vermelha dum livro convidativo, que ocupa mais um espaço na calçada, talvez. Este livro, porém, valerá cinco reais, como muitos, e será de minha autoria.Quero produzir algo supremo em concisão, algo conciso em supremacia, algo maravilhoso em produção e algo produtivo em maravilha. Dizem coisas absurdas sobre escritores renomados.(?) Quero então saudar os roubadores de livros, os roubadores de conhecimento e aqueles que, para adquirir boa viagem, fazem traseira no ônibus da arte, mas sem ofender o entendimento, digo, os que fazem traseira no sentido de burlar os valores comuns, para viajarem de graça num mundo de descobertas gentis.Faz duas horas que acordei, às 3:35, e estou no ápice da atividade pensativa. Sinto-me cansado, por um momento, sinto que tudo o que fiz não valeu à pena. Abro as páginas de Markus Zusak e percebo a magia de ser algo produtivo para a humanidade, ou para mim mesmo e para as não muitas pessoas que amo.Algo estranho ao meu corpo me vem à mente. Nunca conheci esse algo misterioso, que me visita todas as noites, mas que, sem ao menos ver a sua cara, satisfaço-me em sentir apenas a presença do seu cheiro.Tudo que me vem agora é, talvez, banal e sem sentido. Sinto vontade até de rir. Mas também me sinto triste, pois não fui presenteado com o nascer do sol, que o faz jocosamente atrás de minha casa.Abro a última folha do meu livro prático de francês e me deparo com um título interessante e ao mesmo tempo estranho: A dane de Eufodithe. Essas palavras soam rasantes pelo meu quarto, muito embora este não tenha escutado a mínima entonação de minha voz. Nunca soube quem escrevera isto e quem se atrelou a esse mistério abrasivo.Não sou nenhum tipo de lingüista, mas arrisco-me em tentar estudar o significado seco destas palavras insones. Dane deve ter alguma correlação com um nome feminino, talvez de uma musa que habitava uma região longínqua. Eufodithe me soa como Afrodite, a deusa grega da beleza. É interessante notar a ligação entre essas duas palavras desconhecidas: Dane lembra o nome de uma musa antiga e Eufodithe, que me traz à Afrodite, tem um prefixo Eu, que significa verdadeiro. Talvez Dane seja realmente a verdadeira musa e deusa da mitologia grega, humanizada em Eufodithe, e Afrodite, sendo um mito mal-contado, nunca existiu.Ou talvez esse título pedante não tenha sentido nenhum, sendo apenas algo escrito por um doido varrido da sociedade, em mais uma de suas noites mal-dormidas. Resta-me saber: quem é este louco?Aproveito o livro prático de francês e tento fazer algumas aulas, mas o máximo que consigo é me deparar com a beleza destas palavras, destas letras, e do desenho das frases, como este:La meilleure façon de visiter Paris c'est à pied, mais si vous voulez aller d'un endroit à un autre rapidement, faites comme les Parisiens: prenez le métro.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Amar e ser amadoAmar e ser amado!
Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desveio!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
E, teus olhos mirar meu pensamento,
P'ra tão puro e celeste sentimento:
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano
Beijar teus dedos em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundindo também, amante - amado
-Como um anjo feliz... que pensamento

Castro Alves